Câncer do colo do útero e endometriose entram em foco nas campanhas de saúde feminina em março

Março vai além das homenagens pelo Dia Internacional da Mulher e chama atenção para a saúde feminina. Durante este mês, duas campanhas nacionais reforçam a importância da prevenção e do diagnóstico precoce: o Março Lilás, dedicado à conscientização sobre o câncer do colo do útero, e o Março Amarelo, voltado à endometriose. Apesar de se tratarem de doenças diferentes, as iniciativas buscam ampliar o conhecimento da população sobre sinais, sintomas e formas de cuidado com condições que afetam milhares de mulheres no Brasil e no mundo.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), para o triênio 2026–2028, são estimados 19.310 novos casos de câncer do colo do útero por ano no país. Em Minas Gerais, a previsão para 2026 é de 1.610 novos registros da doença. O tumor é o terceiro mais comum entre as mulheres brasileiras, ficando atrás apenas dos cânceres de mama e colorretal.
Já em relação à endometriose, dados do Ministério da Saúde apontam que, entre 2022 e 2025, os atendimentos relacionados à doença na Atenção Primária à Saúde (APS) do Sistema Único de Saúde (SUS) registraram crescimento de 76,2%. No cenário global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a condição atinja cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo (o equivalente a aproximadamente 190 milhões de pessoas).
Evento reforça conscientização
No próximo dia 31, o Instituto de Oncologia Ciências Médicas de Minas Gerais (IONCM-MG), unidade 100% SUS, promove o minissimpósio “HPV: prevenção, rastreamento, tratamento e impactos além do colo do útero”, como parte da campanha Março Lilás. O evento contará com palestras de especialistas e uma mesa-redonda para debater sobre o tema.
A iniciativa tem como público-alvo médicos e profissionais da saúde, mas também é aberta ao público em geral. A retirada gratuita dos ingressos pode ser feita por meio da plataforma Sympla.
Atenção aos sinais da endometriose
 
Apesar de provocar dor intensa, a endometriose ainda é considerada uma doença silenciosa. O diagnóstico pode levar, em média, até sete anos desde o início dos sintomas. Por isso, a atenção aos sinais é fundamental para garantir um tratamento adequado e melhorar a qualidade de vida das pacientes.
Entre os principais sintomas listados pelo Ministério da Saúde estão cólicas menstruais intensas que não melhoram com medicamentos; dor pélvica fora do período menstrual; inchaço abdominal antes e durante a menstruação; dor durante relações sexuais com penetração; e alterações intestinais durante o período menstrual, como diarreia ou constipação.
A coordenadora da Ginecologia do IONCM-MG e professora da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG), Dra. Mariana Seabra, explica que a normalização da dor menstrual contribui para o atraso no diagnóstico.
Quando a dor menstrual intensa é tratada como algo ‘normal’, muitas mulheres demoram a procurar ajuda e, às vezes, também demoram a ser encaminhadas para a investigação adequada. O quadro é desvalorizado. Isso contribui para um atraso diagnóstico que ainda é um problema reconhecido. A demora no reconhecimento traz sequelas a longo prazo, como dor pélvica crônica e impacto reprodutivo, como infertilidade.”
Prevenção e diagnóstico do câncer do colo do útero
 
“O principal fator [de risco do câncer do colo do útero] é a infecção persistente por tipos oncogênicos do HPV (papilomavírus humano), especialmente os tipos 16 e 18, que respondem por 70% dos casos. Além disso, eles podem aumentar o risco de condições como HIV e outras situações de imunossupressão, coinfecções por outras ISTs e tabagismo”, alerta a Dra. Mariana Seabra.
A vacina contra o HPV, disponível gratuitamente no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, com estratégia de resgate para adolescentes de 15 a 19 anos que ainda não receberam a imunização, é uma das principais formas de prevenção. A imunização pode evitar mais de 60% dos casos da doença.
A vacinação antes da exposição ao vírus é considerada uma estratégia de grande impacto em saúde pública. “Dados brasileiros divulgados a partir de estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostraram que a vacinação contra o HPV se associou à redução de 58% dos casos de câncer do colo do útero e de 67% das lesões pré-cancerosas graves (NIC3) em mulheres jovens”, detalha a Dra. Seabra.
Por se tratar de uma enfermidade que pode evoluir de forma silenciosa em suas fases iniciais, a realização de exames de rotina é essencial para o diagnóstico precoce. O exame de Papanicolau continua sendo uma importante ferramenta para identificar lesões antes que evoluam para o câncer. Outro aliado é o teste de DNA-HPV, exame de alta performance indicado para mulheres de 25 a 64 anos. Quando o seu resultado é negativo, a repetição pode ser feita em intervalos de cinco anos.

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