Com sintomas inespecíficos e frequentemente negligenciados nas fases iniciais, o câncer de ovário ainda representa um desafio para o diagnóstico precoce no Brasil. A estimativa é de até 8.020 novos casos por ano no país no triênio 2026–2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Em Minas Gerais, a previsão é de 890 novos registros apenas neste ano.
“Infelizmente, na maioria das vezes, o câncer de ovário ainda é diagnosticado em estágios avançados. A literatura brasileira costuma apontar que cerca de 75% dos casos são identificados tardiamente, o que piora o prognóstico e reduz as chances de cura”, reforça a coordenadora de Ginecologia do Instituto de Oncologia Ciências Médicas de Minas Gerais (IONCM-MG), Dra. Mariana Seabra.
O Dia Mundial do Câncer de Ovário, celebrado nesta sexta-feira (8), tem como objetivo ampliar a conscientização sobre a doença, que afeta milhares de mulheres no Brasil e no mundo. De acordo com o INCA, trata-se do segundo tipo mais comum entre os cânceres ginecológicos, atrás apenas do câncer do colo do útero.
Sinais que merecem atenção
“Distensão abdominal, sensação de empachamento [barriga estufada], dor ou desconforto pélvico, dor abdominal ou nas costas, sensação de saciedade precoce, dificuldade para comer e mudanças no hábito urinário ou intestinal, como urgência para urinar ou constipação. Sangramento vaginal anormal, especialmente após a menopausa, também deve ser investigado”, enumera a especialista do IONCM-MG.
Além dos sintomas, há fatores de risco que devem ser observados, como idade acima de 50 anos, histórico familiar da doença, mutações genéticas como BRCA1 (o risco cumulativo de câncer de ovário é estimado em torno de 39%) e BRCA2 (entre 11% e 17%), além da síndrome de Lynch e condições como endometriose, infertilidade e nuliparidade. “Também merecem avaliação mais individualizada mulheres com história pessoal de câncer de mama, câncer de endométrio ou câncer colorretal”, explica a Dra. Mariana Seabra.
Prevenção e tratamento do câncer de ovário
Consultas regulares ao ginecologista, aliadas à investigação com exames clínicos, laboratoriais e de imagem, são fundamentais para a detecção precoce, embora o rastreamento da doença ainda represente um desafio para a Medicina. “É importante lembrar que, até o momento, não dispomos de um método de rastreamento eficaz para câncer de ovário, inclusive nas pacientes com fatores de risco. Por isso, o mais importante é manter atenção aos sinais e sintomas e valorizar uma investigação cuidadosa diante de qualquer suspeita”, alerta a coordenadora de Ginecologia do IONCM-MG.
O tratamento do câncer de ovário varia conforme o tipo do tumor, o estágio da doença, o perfil molecular e as condições clínicas da paciente, podendo incluir cirurgia e quimioterapia à base de platina. Entre os avanços recentes, destacam-se as estratégias de medicina personalizada. “Testes genéticos e biomarcadores do tumor, como BRCA e HRD, ajudam a identificar quais pacientes podem se beneficiar mais de tratamentos-alvo, especialmente dos inibidores de PARP. Além disso, novos biomarcadores e agentes terapêuticos vêm ampliando as opções de tratamento, sobretudo nos casos de doença avançada ou recorrente”, exemplifica a especialista.
Sobre o IONCM-MG
Mantido pela Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma), o Instituto de Oncologia Ciências Médicas de Minas Gerais (IONCM-MG), inaugurado no final de 2024, oferece assistência multidisciplinar em tratamento oncológico 100% SUS. Funcionando em um prédio de 11 andares, o instituto conta com 35 boxes individuais de quimioterapia e salas para atendimento em Fisioterapia, Odontologia, Nutrição, Psicologia, Cuidados Paliativos, Serviço Social, Farmácia Clínica e Enfermagem em Navegação.
Mais informações estão disponíveis em ioncm.org.br.
